Projetos realizados

Evolução e adaptações de espécies exóticas invasoras: conhecimentos necessários para a prevenção e mitigação de invasões biológicas

Etapas do processo de coleta e análise

Etapas do processo de coleta e análise

Grandes avanços foram feitos nos últimos anos para aprimorar o entendimento sobre invasões biológicas. Atualmente, é possível detectar quais as características das espécies e os fatores ecológicos e evolucionários que contribuem para o sucesso de bioinvasões (invasões biológicas). Por exemplo, entende-se que espécies alóctones tendem a ser invasoras bem-sucedidas quando a pressão de propágulos é alta, onde as populações introduzidas estão adaptadas ao ambiente receptor, onde elas evoluem novas habilidades competitivas, ou onde o habitat oferece baixos níveis de resistência biótica. Contudo, apesar da atual competência em explicar como e porque invasões biológicas ocorreram, a ciência ainda tem dificuldade em prever quando organismos introduzidos fora da área de ocorrência natural irão expandir sua área de ocorrência, invadindo ambientes naturais. Pesquisas sobre o processo de crescimento e expansão de populações alóctones são fundamentais para que possamos entender os impactos que estes organismos podem ter em populações, comunidades e ecossistemas nativos. Da mesma forma, entender e prever as respostas dos organismos a novos ambientes é uma questão central para a biologia de mudanças globais. Introduções de espécies mediadas pelo ser humano podem fornecer conhecimentos valiosos sobre como os organismos respondem às mudanças climáticas e novas interações.

Projeto aprovado CNPq 400196/2014-0 em colaboração com a Universidade de Brasília (Prof. John Du Vall Hay)

Publicações oriundas do projeto:

Zenni RD, Dickie IA, Wingfield MJ, Hirsch H, Crous CJ, Meyerson LA, Burgess TI, Zimmermann TG, Klock MM, Siemann E, Erfmeier A, Aragon R, Montti L, Le Roux JJ. 2017. Evolutionary dynamics of tree invasions: complementing the unified framework for biological invasions. AoB Plants, 10.1093/aobpla/plw085.

Zenni RD, da Cunha WL, Sena G. 2016. Rapid increase in growth and productivity can aid invasions by a non-native tree. AoB Plants 8:plw048.

Zenni RD, Hoban SM. 2015. Loci under selection during multiple range expansions of an invasive plant are mostly population-specific, but patterns are associated with climate. Molecular Ecology 24:3360-3371.

Zenni RD, Bailey JK, Simberloff D. 2014. Rapid evolution and range expansion of an invasive plant are driven by provenance-environment interactions. Ecology Letters 17:727-735.

Zenni RD, Lamy J-B, Lamarque LJ, Porté AJ. 2014. Adaptive evolution and phenotypic plasticity during naturalization and spread of invasive species: implications for tree invasion biology. Biological Invasions 16:635-644.


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Coocorrência de espécies exóticas invasoras: efeitos ambientais e implicações para manejo

Parcela experimental dominada por U. decumbens

Parcela experimental dominada por U. decumbens

Assim como é necessário aprimorarmos o entendimento sobre os mecanismos que causam e contêm invasões biológicas, também é importante entendermos os efeitos das invasões em comunidades e ecossistemas naturais. É sabido que algumas bioinvasões podem produzir impactos negativos na estrutura e composição de comunidades, bem como alterar processos ecossistêmicos como o fogo e a ciclagem de nutrientes. Atualmente, grande parte das pesquisas em impactos de espécies exóticas invasoras foca em apenas uma espécie enquanto a situação mais comum é de múltiplas espécies invasoras ocorrendo simultaneamente. Por exemplo, algumas das melhores pesquisas sobre o impacto de espécies exóticas invasoras no Cerrado focam apenas em uma espécie (Melinis minutiflora) mesmo havendo ao menos 38 espécies alóctones no local estudado. Assim como espécies exóticas invasoras interagem com espécies nativas, elas também podem interagir entre si facilitando ou reprimindo a disseminação e o impacto de ambas. Pesquisas recentes indicam que os impactos de espécies exóticas invasoras podem ser diferentes quando em singularidade ou coocorrência. Sendo singularidade a ocorrência de apenas uma espécie exótica invasora num determinado local e coocorência a ocorrência de duas ou mais espécies exóticas invasoras. Desta forma, conhecer do papel das interações entre espécies exóticas invasoras na dinâmica de invasão e nos impactos ecológicos causados é fundamental para a ecologia básica e aplicada, pois influencia diretamente nosso entendimento sobre o funcionamento de comunidades e ecossistemas, bem como as estratégias de manejo e controle de invasões biológicas.

Projeto aprovado CNPq 400196/2014-0 em colaboração com a Universidade de Brasília (Prof. John Du Vall Hay)


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